Nesse momento assim meio limbo da minha vida, em que a profissão está sobrestada e tudo meu a acompanha, o que eu mais tenho feito é olhar para mim. O que me trouxe até aqui, o que eu fiz para merecer o que tenho e o que eu tenho, o que cabe a mim mudar. Sabe, tenho sentido a necessidade de olhar para dentro, para tudo o que eu não estava vendo. Não que eu não já notasse, mas é que tem coisas que a gente guarda para a gente que precisa de espaço, precisa crescer. E faz até mal quando não o faz. Sufoca, aperta. Parece que vai explodir. E, por vezes, até explode. E nem sempre da melhor forma. Então, tenho tentando prestar beem atenção nisso tudo. Tenho tentado, e até conseguido, às vezes, trabalhar aqueles monstros que eu mesma crio, os medos infundados que todo mundo tem, as carências que ninguém sabe.
E olhando para dentro, foi que eu vi o quanto de mim há fora. Amigos, lugares, objetos, textos. Partes de mim que superam os limites do meu corpo e que me irradiam sensações impossíveis de se definir. Partes de mim que andam com as próprias pernas, sentem coisas diferentes, conhecem outros lugares. Partes de mim que nem sempre estiveram por perto, mas que, poooxa, como eu sei que sempre foram partes necessárias de mim.
E percebendo que olhar para dentro às vezes me afasta dessas partes que também são minhas mas que estão fora, precisei aguçar o olhar no entorno, também. E tentar não esquecer que só fazendo tudo isso junto algo seria diferente. Que só somando esses dois olhares, que, bem no fundo, eram só um, as coisas comceçariam a dar certo. Como tem que ser. Agregando tudo. Reconhecendo-me inteira.
Ainda que eu continue na espera pelo meu momento objetivo, quando vai ser o meu corpo o fotografado e os meus dados os que vão ser estampados no cartãozinho rosado, o meu coraçãozinho transbordou de
orgulho ao ver a
MariGrazi recebendo a carteira da OAB, assim como a tal da cédula (
que até um dia desses era pra mim a mesma coisa) que faz dela, de uma vez por todas, realmente advogada. A primeira de nós. E eu estava lá. Estava lá com um misto inexplicável de sensações que me traziam à tona tudo o que a gente fez juntas, igual e diferente. As risadas, os estudos, as aulas, os passeios. Todo o carinho da caminhada me veio à mente naquele justo instante, me confortando por não estar lá
ainda com ela, e me maravilhando por ser a única a estar lá, com ela. Mais do que nunca, por ela. E eu não cabia em mim, de tão feliz, como se fosse eu quem estava lá na frente, repetindo aquelas palavras toscas que ninguém
cumpre decora.
Parabéns, amiga! É só o começo da caminhada. e, a cada passo seu, a gente anda para a frente. Porque é pra frente que se anda. E eu te amo muito.